porque queremos exercer esta profissão? porque achamos que o trabalho não tem horas? porque gostamos que o projecto seja resposta para tudo?

Esta profissão que escolhemos não nos dá tréguas. Cobra-nos uma vida de compromissos com o trabalho que ultrapassa largamente o tempo que devíamos dedicar ao exercício da profissão.

Gostamos de ter a certeza que a solução encontrada responde integralmente e na perfeição ao pedido do cliente. É uma profissão que não sobrevivendo por si só, está inequivocamente destinada a gerir e compatibilizar as complexidades entre os projectos de especialidades que completam e enriquecem a arquitectura. É como um corpo com esqueleto, órgãos, músculos e pele, pronto para envelhecer, de preferência, com muita dignidade. Não há dúvida que um corpo em funcionamento, humano ou não, está repleto de mistério. É este mistério que também existe na arquitectura, que nos dá, aos arquitectos, a vontade de continuar na adversidade da profissão.

Fechamos, daqui a um ano, um ciclo de trabalho, conscientes do que ficará por desenvolver mas também conscientes do esforço colocado nas múltiplas tarefas de apoio aos arquitectos a encontrar respostas para a sua vida profissional. É com esta preocupação que pensámos numa estratégia concentrada no tema da encomenda. Acto fundamental para a vitalidade e continuidade da arquitectura portuguesa na crescente afirmação internacional. Não querendo esquecer quem está nas mais diversas áreas da profissão, sabemos que a generalidade dos arquitectos procura exercê-la de modo "clássico" ou seja, a projectar.

A encomenda, para o arquitecto, surge de várias formas, ou porque o cliente nos chega com uma encomenda ou porque o arquitecto decidiu participar num concurso de arquitectura. É neste simples entendimento que se tem baseado a nossa programação para 2014/16.

O Escolha-Arquitectura, é um programa pleno de iniciativas que queremos seja um estímulo e uma mudança para todos: arquitectos, sociedade e promotores.


Rui Alexandre, Presidente do CDRS