Arquitectos chamados a intervir no Funchal

— 14.09.2016


"É importante realçar o facto de os arquitectos estarem a ser chamados a participar no processo de reflectir sobre os acontecimentos catastróficos que assolaram a Madeira", afirmou o arq. Paulo David, um dos coordenadores do Gabinete da Cidade lançado pela Câmara Municipal do Funchal, na sequência dos incêndios que devastaram a ilha no passado mês de Agosto. Paulo David vai estar acompanhado do arq. João Favila e Gonçalo Byrne no Conselho Científico. O Gabinete conta ainda com a colaboração do arquitecto paisagista João Gomes da Silva.

Recentemente formalizado, o Gabinete da Cidade está ainda em fase de instalação mas "está já a ser feito o levantamento topográfico" a partir do qual será definido "um plano de ordenamento e defesa com o objectivo de minimizar algumas situações em termos de ordenamento de território", adianta o arquitecto madeirense. O Gabinete da Cidade vai abranger processos de reabilitação de edifícios, mas também de novas acessibilidades e a criação de novos espaços públicos. O diagnóstico e o plano de acção deverão estar concluídos até ao fim do ano. É intenção da autarquia incorporar o trabalho do Gabinete da Cidade nos instrumentos de gestão urbanística, nomeadamente o Plano Diretor Municipal e o Programa Municipal de Reabilitação Urbana.

Para este exercício de "pensar na cidade com a tragédia em pano de fundo" Paulo David pretende "trazer todas as disciplinas úteis para esta análise" bem como convocar universidades portuguesas e estrangeiras para este processo, designadamente a Universidade de São Paulo e do Instituto Politécnico de Milão.

O arquitecto madeirense não esconde que encontra no caso da reabilitação do Chiado uma inspiração e uma referência. "Foi uma intervenção de sucesso e grande eficácia que nem sempre foi aceite naquele tempos, os anos 80. Mas grande parte do sucesso deve-se à disciplina na intervenção que o arq. Siza desenvolveu e também ao que papel didáctico do seu trabalho. É um modelo muito interessante".