“Simulador de Custo de Obra vem colmatar uma necessidade persistente”

— 16.03.2016


O Simulador de Custo de Obra, lançado no âmbito do Programa escolha-arquitectura, foi criado com a intenção de ajudar o público interessado em trabalhar com arquitectos a ter um valor de referência em que se pudesse basear para fazer o cálculo do custo de uma obra.

Perante a constatação de que existia “um interesse persistente” em saber quanto poderia custar trabalhar com um arquitecto, a Ordem dos Arquitectos começou a procurar uma solução para oferecer. “Fomos procurar informação sobre custos médios de construção. Rapidamente descobrimos que esses dados ou não existem, ou não estão tratados ou não estão disponíveis para serem usados”, afirma João Fagulha, vogal da OASRS e um dos responsáveis pela implementação do Simulador.

O passo seguinte foi “pedir aos nossos membros que nos dessem informações sobre as obras em que estão envolvidos para podermos começar a construir valores médios”, acrescenta. Com o objectivo de garantir maior qualidade e fidedignidade a estes números, a OASRS associou-se à Confidencial Imobiliário, uma marca de produção de indicadores de análise de mercado, para aceder a informação sobre obras licenciadas ou em construção nos últimos 3 anos nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, e no resto do país (actualmente a base de dados ainda só tem informação sobre obras no Algarve).

Esta base de dados e os números obtidos a partir de um primeiro inquérito confidencial enviado aos arquitectos membros, permitiu lançar a “versão beta” do Simulador de Custo Obra. “Este Simulador vai funcionar tanto melhor quanto maior for o universo de obras a que recorre”, adianta o arquitecto, razão pela qual “vamos enviar um novo inquérito aos arquitectos no sentido de obter informações sobre as obras em que estão envolvidos. Estes dados serão posteriormente descaracterizados”.

Prático e simples de usar, o Simulador está acessível a qualquer pessoa, oferecendo quatro parâmetros de descrição de obra: localização, uso de obra (habitação, comércio, turismo), contexto (urbano, consolidado ou fora do espaço urbano) e tipo de obra (nova ou reabilitação). De seguida, o utilizador introduz os metros quadrados da obra em causa. Os resultados que o Simulador oferece são “uma média simples dos valores de vários registos similares existentes na base de dados”.

João Fagulha deixa um alerta: “é preciso lembrar que o valor gerado pelo Simulador corresponde apenas à construção e é meramente indicativo porque não abarca todos os factores a ter em conta na realização de uma obra. Uma intervenção tem ainda de contar com os valores do projecto de arquitectura e das outras especialidades, como o valor das taxas administrativas e urbanísticas e outras certificações necessárias para a sua execução”.